"A maior necessidade do mundo é a de homens; homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus." Ellen G. White


domingo, 6 de maio de 2012

Silêncio

Esses dias o Paolo, estudante de teologia aqui do UNASP - EC, fez um sermonete interessante. Passou- nos um vídeo de aproximadamente 5 minutos, porém não havia áudio, só legendas. Foi proposital. O objetivo do vídeo era nos fazer perceber como o silêncio pode influenciar de maneira positiva  nosso relacionamente genuíno com Cristo. Como o silêncio poderia ser relevante para o reconhecimento da voz de Deus e das respostas que nunca escutamos, mas que sempre exigimos, mas que, devido à falta desse exercício silencioso de parar e refletir, não conseguimos reconhecer. Como bom estudante de teologia, sabe um pouco de grego e hebraico. Nos mostrou o tetragama em hebraico da palavra/ nome DEUS. E como se pronunciava cada letra desse tetragrama como a imagem mostra acima.

Interessante foi quando ele fez a analogia da pronúncia de cada letra com o som que fazemos ao respirar. Para minha surpresa, o som era exatamente o mesmo quando inspiramos e espiramos.

Se cada exercício de nosso ser carnal testifica do amor de Deus, como poderíamos pensar que o mesmo não atua, respondendo nossas perguntas? Como podemos acresitar num Deus impessoal que nos vê apenas como fantoches do mal, à mercê de suas trevas?

Como duvidar, se até mesmo o mais incrédulo ser involuntariamente testifica do amor de Deus? Nós podemos buscá- lo voluntariamente, cientes de que, se permitirmos, Ele pode sim, atuar em nosso vida, até mesmo no silêncio, quando apenas estamos a ofegar, sedentos de Seu Espírito e orientação.

 

 

 

 

 

Já experimentou ouvir Deus no silêncio? 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Velha Costureira

Recolhia- se sempre cedo, no crepúsculo. Igualmente, acordava cedo. Na verdade, quem a acorvada era o velho colchão de molas que já há anos o marido falecido lhe dera de presente das bodas de prata e que, devido ao longo tempo vinha- se envelhecendo.
Espreguiçava- se com cuidado, devido ao problema das juntas. Calçava seu chinelinho, tateava a bengala na luz difusa de seu humilde casebre e ia fazer a toillette. Depois do gargarejo, recolocava sua dentadura e assim seu dia sempre começava.
Podia- se ouvir de longe os passos arrastados por sobre o assoalho desgastado até a máquina de costura. Porém, antes de tudo, a velha senhora não abria mão de desenterrar sua antiga realidade do fundo do baú. Literalmente. Havia um baú enorme, trancado à sete chaves. Medo tinha não sei do que. Então, à luz da lamparina ia até o sótão buscar a chave. Em meio ao estranho ritual, a velha ia recriando memórias e alimentando velhas ilusões a cada vestido tirado do velho baú. Cobria- se de renda enquanto admirava seu rosto enrugado no espelho, como se suas áureas ainda fossem coradas como pêssego e seus lábios fossem tão jovias como naquele momento se sentia. Seus olhos brilhavam e antes que se sentasse em sua cadeira acolchoada para o trabalho, inspirava- se toda. Estava pronta para mais um dia de trabalho. Costuraria até o pôr- do- sol. Lembrava- se agora de seus antigos moldes de ateliê que já há tanto tempo havia criado para ricas senhoras e mimadas moças. No tempo em que a vida era uma festa e que buquês de rosas e caixas de chocolate lhe faziam honra a cada jantar com o homem que desde a infância amara. Mas por fatalidade, viera a falecer de tuberculose.


- Preciso me concentrar. Repetia a velha para si mesmo. Ainda hei de retomar com êxito minhas luxuosas criações. Estou falida, mas eu hei de me reestabelecer e conquistar novamente o prestígio de todos nessa cidade.


Agulhas, cetins, botões e manequins serviam- lhe de companhia em meio há tanto trabalho. às vezes sentia- se cansada, outra hora mais disposta e assim prosseguia. Até que sentiu sede. Quando foi até a cozinha pegar um cópo d'água, e em meio aos seus devaneios voltou até a sala, quando ouviu a sineta da porta soar.


- Quem é? Quiz saber a senhora.


- Abra a porta!


- Mas quem é? Insistiu a velha.


Não obteve resposta. Foi com receio até a porta e ao abrir deparou- se com um senhor em prantos.


- O que houve? Posso ajudá- lo?


- Apenas ouça. Na juventude seu amado e eu éramos muito amigos. Eu o amava como um irmão. Ele tentou esconder sua doença, mas não conseguiu. Eu sempre soube e lamentei muito pela senhora não ter desconfiado. Apesar que não poderíamos fazer nada, já que naquela época não havia cura para tal enfermidade. Então, um dia quando sentia- se muito debilitado, como que prevendo o dia de sua morte , entregou- me um testamento com todos os bens que ele guardava em seu cofre pessoal no banco em que trabalhávamos. Porém, devido ao meu egoísmo, aproveitei- me de sua fragilidade e peguei a senha de seu cofre com a desculpa de entregá- la a você, um dia depois ele faleceu. Devo - lhe perdão por tal ato. Uma vez que durante muito tempo fizeste com que pensas- te que ele a abandonará em seus últimos momentos. Mas ele não fez por mal. Só não queria que a senhora sofresse. Então, com meu orgulho no chão, devolvo- lhe o que de fato sempre lhe pertenceu.


Dizendo isso, se foi.


A velha boquiaberta, tentou apoiar- se sem sucesso, caindo no chão em prantos e balbucios. Arrastou- se até o velho baú e lemantou por ter desconfiado do seu bom marido. Recordou- se do diário que escondera no fundo, antes mesmo dos vestidos, quando debrussou- se sobre a lateral, tentando encontrar suas vívidas memórias relatas minuciosamente nas páginas desgastadas do velho caderno. Não encontrava, então, desesperada, entrou no baú quando vira uma antiga fotografia de seu esposo por cima do caderno. Lá ficou, até que pôr- do- sol passou. Lia, recordava, lamentava. E de tanto que chorava suas lágrimas enxarcavam. Pendia- lhe dos olhos, molhavam- lhe a face, as páginas o testamento, tudo. Lá ficou até que o coração acalmou. De tanto que chorou. E de tanto que chorou, cessaram - lhe as forças até que seu passado ali ficou. Juntamente com ela, seu coração e suas memórias sepultou. Pra sempre, naquele velho baú.


(Adaptação de 'A Moça Tecelã', de Marina Colasanti)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dádivas

Certa vez, um homem resolveu fazer uma viagem. Viajaria muitas milhas num navio. Então preparou a bagagem e lá se foi ao porto. No decorrer do tempo, percebeu que estava com fome. Porém, como não tinha dinheiro para comer no restaurante do navio continuou a comer as bolachas salgadas que havia levado para tapear a fome.
Porém, depois de um certo tempo, como não aguentava mais comer a mesma coisa, foi até ao capitão e perguntou o preço da refeição. O capitão pediu seu bilhete de embarque e disse: Ora, meu rapaz! Pelo que vejo aqui, você tem direito a todas as refeições do navio.

Às vezes, agimos da mesma forma que este rapaz. Deixamos de aproveitar as dádivas que Deus quer nos doar, achando- nos indignos para tal. Acreditamos que o pacote não "cubra refeições". Mas Cristo pagou o preço, lá na cruz. O Seu perdão é maior que o seu e o meu pecado.


Usufrua.

domingo, 2 de outubro de 2011

Como Duvidar?

"Levantais os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome..." Isaías 40:26
As ondas do mar quebrando em uma praia,
O veludo azul do céu bordado de estrelas
Cores diluídas em uma floresta
Cachoeiras soando como grande orquestra
As lágrimas do orvalho desenhadas em uma rosa
A lua iluminando uma estrada de terra
O gosto açucarado de um favo de mel
O amanhecer pintado em tom pastel
Como duvidar de um Deus tão poderoso
De um ser tão detalhista que pintou o mundo com suas mãos
Como duvidar?
De um ser que me faz respirar
Comanda os planetas
E se importa com as palavras que eu falar, como duvidar?
A grandiosidade de uma montanha
O trabalho árduo, em um formigueiro
Um arco-íris rasgando o céu cinzento
Dunas esculpidas pelo sopro do vento
O sol se escondendo no horizonte distante
Poesia existente em um nascimento
A brisa balançando uma rede na varanda
O som de crianças brincando de ciranda
Como duvidar de um Deus tão poderoso
De um ser tão detalhista que pintou o mundo com suas mãos
Como duvidar?
De um ser que me faz respirar
Comanda os planetas
E se importa com as palavras que eu falar, como duvidar?

Novo Tom

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Sabedoria das Xícaras

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo. Ao oferecer chá aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras - de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; dizendo a todos para se servirem. Quando todos os estudantes estavam de xícaras em punho, o professor disse:

- Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e estresse.Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade nenhuma ao chá. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente queriam era o chá, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras... e então ficaram todos de olho nas xícaras uns dos outros.


Agora pensem nisso:

A vida é o chá, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras.
Eles são apenas ferramentas para sustentar e conter a vida... O tipo de xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de vida que vivemos.
Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o chá que recebemos.

sábado, 30 de julho de 2011

O Bom Pastor




Dia desses tomei nota de alguns capítulos bíblicos referente às ovelhas, como por exemplo, o Salmo 23 e a parábola do bom pastor.  Biblicamente falando, nós somos as ovelhas. Jesus é nosso pastor. Um detalhe interessante é quando o salmista Davi refere- se a si mesmo como uma ovelha, mesmo sendo ele um pastor, de seu próprio rebanho. Ele menciona “o vale da sombra e da morte”. Mas que lugar é esse? Superficialmente, muitos responderiam ser o fundo do poço, ou talvez um momento difícil, mas na realidade esse lugar existe, e o mesmo é nomeado como tal.
Durante o pastoreio, há um momento crucial no percurso, onde as ovelhas devem passar por esse vale, que é um monte muito grande com uma trilha e logo abaixo, um abismo profundo. O caminho da trilha é extremamente tênue e como suas ovelhas são medrosas, o pastor vai à frente conduzindo – as ao som de sua melodiosa flauta. A música as faz reconhecer o caminho e o que as espera do outro lado. Com a música elas são capazes de identificar seu verdadeiro pastor. 
A tarefa básica do pastor de ovelhas, além de alimentá- las é cuidar para que elas não se distanciem dele, de modo que permaneçam sempre seguras, por serem frágeis. Seu afastamento pode ocasionar perdas ao pastor, um animal selvagem pode atacá- la, por isso a importância da união. Entretanto, se uma ovelha se perde, o pastor não hesita em deixar as 99 ovelhas pastando no campo para ir em busca da centésima. Isso me levou a uma profunda reflexão, um pensamento que me fez relacionar (não de forma superficial) essa história com nosso relacionamento com Jesus. Somos as ovelhas. Jesus nosso pastor. Ele nos conduz com amor, Ele nos ama pessoalmente e é o próprio cordeiro de Deus. E se por um acaso nos perdermos e estivermos sujeitos aos ataques de algum animal (Satanás), Jesus não hesita e vai nos buscar, não importa onde estivermos e/ ou em quais circunstâncias.
O natural das ovelhas é apegar- se ao seu pastor, de modo que nenhum outro pode roubá- las, estando elas sãs de que são dEle, onde há a familiar melodia. Isso me leva a reconhecer nossa dependência de Cristo. Mesmo quando ignoramos seu chamado, há uma hora em que definitivamente precisaremos dEle. Não há escolha. O vale da sombra e da morte é perigoso e não há outra maneira de vencê- lo sem o pastor. Porém, se alguma vez escorregarmos por ele, o cajado de nosso “pai” está pronto a nos resgatar e conduzir, guiando- nos novamente aos pastos verdejantes e às águas tranqüilas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Abandono



É com muito pesar que comunico hoje, às minhas vanguardas internas, o desapego às minhas velhas lembranças. Antigas fotografias, cartas e postais, dizem adeus aos porta- retratos e murais, viram- se as páginas do diário. Novas arquiteturas são projetadas, dentro e fora de mim. Novas percepções afloram sentimentos, até então desconhecidos.
O comodismo já não tem mais espaço no guarda- roupa. As velhas modas dão espaço às "novas tendências". A dependência até então embutida dá espaço ao desapego daquilo que hoje já não é mais. 
Memórias repassam sentimentos adormecidos que insistem em ser esquecidos, mas em vão. O sistema límbico tenta reprogramar- se. Com um certo esforço, talvez consiga algum progresso; apesar da sede de novas emoções.